29.11.09

Ruy Belo (Portugal)

   
    



foto jsm
   
   

EPÍGRAFE PARA A NOSSA SOLIDÃO


Cruzámos nossos olhos em alguma esquina
demos civicamente os bons dias:
chamar-nos-ão vais ver contemporâneos
     
     

8 comentários:

José da Silva Martins disse...

Origem: Site do Instituto Camões:

Ruy Belo nasceu em S. João da Ribeira, pequena aldeia do concelho de Rio Maior, em 1933. Foi aluno do liceu de Santarém e cursou Direito, primeiro na Universidade de Coimbra, depois na Universidade de Lisboa, onde se diplomou em 1956. De partida para Roma, doutorou-se em Direito Canónico na Universidade de S. Tomás de Aquino. Em Lisboa, viria a frequentar também a Faculdade de Letras, terminando em 1967 a licenciatura em Filologia Românica. Além de actividade no domínio editorial, Ruy Belo foi também professor. Leitor na Universidade de Madrid desde 1971, regressou ao país em 1977, vindo a falecer de modo súbito no ano seguinte.

Nome de destaque na poesia portuguesa contemporânea, exerceu igualmente intensa actividade de ensaísta e crítico literário. Da sua obra poética fazem parte Aquele Grande Rio Eufrates (1961), Boca Bilingue (1966), Despeço-me da Terra da Alegria (1977).

A Obra Poética de Ruy Belo encontra-se reunida em dois volumes publicados pela Editorial Presença, com organização e comentários de Joaquim Manuel Magalhães. Os livros do poeta estão a ser reeditados pela mesma editora. Um volume único com toda a obra poética, significativamente intitulado Todos os Poemas, foi ainda recentemente dado à estampa pelo Círculo de Leitores (2000) e pela Assírio & Alvim (2001).

maria josé quintela disse...

com a marca de uma certa ironia e irreverência.


deixo aqui um poema de Ruy Belo que eu gosto muito:

"Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração"


um abraço.

Isabel disse...

a escolha da solidão partilhável nos ramos da vida.

o que Ruy Belo sabia de saber por dentro os ângulos de todos os sentimentos .

a referência de um romantismo aberto ao seu tempo que afinal é sempre o de todos nós____________navegantes de esquinas e de labirintos.


gosto muito.

e dos barcos em assimetria.


beijo.

Isabel disse...

P.s.


mas uma assimetria "secante"...


belo o exercício desta ilustração.

Maresias disse...

Oh Ruy Belo

que encantado ficarias

se pudesses ver os contemporâneos

que eu vejo.


Como gostarias de te cruzar com a beleza de IMF,

segredar-lhe "bom dia Poeta, vim escutar-te

como outros me escutaram a mim."


Fico por aqui. Obrigada.



Abraço JSM

maré disse...

as esquinas
onde a noite é o ângulo mais frio da terra. uma escarpa, gradual e dilatada, onde jaz um amontoado de vozes.

Obrigado JSM

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e claro. gosto muito das suas fotos, ou não fosse eu uma filha do mar.

um beijo

PiresF disse...

Meu caro JSM, estou com um pequeno problema para resolver que é este: Já não sei se venho aqui pelas suas escolhas poéticas, se pelas suas fotos, ou se, simplesmente, só cá venho para encontrar esta gente bonita e talentosa que aqui comenta.

Mas falemos de Ruy Belo e a melhor forma de o fazer, é homenagea-lo com este excerto do “Missa de Aniversário” do “Aquele Grande Rio Eufrates


[…]
Já só na gravata te levamos morto àqueles caminhos
onde deixaste a marca dos teus pés
Apenas na gravata. A tua morte
deixou de nos vestir completamente
No verão em que partiste bem me lembro
pensei coisas profundas
É de novo verão. Cada vez tens menos lugar
neste canto de nós donde anualmente
te havemos piedosamente de desenterrar
Até à morte da morte

Chris disse...

Foi um prazer passar por aqui. obrigado pelas palavras
Um abraço
Chris