foto jsm
O Fim
Descubro-te no caderno da tinta a escorrer a
convexidade da palma da mão.
Devolvo-te a imagem. Antes fosse de madeira a
palavra, numa mesa de chá, a vomitar
cadências de limos. Disse-te que não, não era
o contorno que compunha a obra.
Era uma trémula encosta ali na elevação do
inútil. É nela que se sustenta a vontade e se
quebra a ponte entre a pele e a infância.
Desfolho o caderno e creio-te lá, envolta no
lixo estático da morte, em castidades
desfeitas na matemática do painel do teu
corpo.
O fim é a construção geométrica do orgasmo.
Suporte de pele nas tardes abstractas a
absolver o sangue menstrual do superior
sonho.
Qualquer sopro de fome distingue a muralha do
desejo da profecia do tempo. Por isso te
mato. Findo-te nesta folha abandonada ao
silêncio.
A pilha do relógio acabou. Deponho-te
espacialmente de caneta em punho no murmúrio
do traço. Sem esforço, evoco-te o fim do
pasmo. Exausto-te. Orgasmo-te.
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